A
Festa da Páscoa é uma das festas do calendário judaico. Essa festa foi instituída
no contexto da libertação do Egito (Êx 12.1-30). Antes da última praga – a morte
dos primogênitos – o Senhor ordenou, por meio de Moisés, que cada família de
Israel imolasse um cordeiro e pintasse as vergas das portas de suas casas com o
seu sangue. O Anjo do Senhor passaria sobre a terra do Egito e todos os
primogênitos dos homens e animais seriam mortos, com exceção daquelas casas
onde o sangue estava nas portas.
A palavra
“páscoa” vem do hebraico pesah que significa “passar sobre”. Essa é uma
referência ao Anjo do Senhor passando sobre a terra do Egito trazendo o juízo
de Deus. Anualmente, o povo de Israel deveria celebrar essa festa em
comemoração à redenção operada pelo Senhor: "4São
estas as festas fixas do Senhor, as santas convocações, que proclamareis no seu
tempo determinado: 5no mês primeiro, aos catorze do mês, no
crepúsculo da tarde, é a Páscoa do Senhor." (Lv 23.4–5 ARA)
A
celebração da Páscoa tinha um duplo apontamento. Em primeiro lugar, era uma
lembrança da libertação do Egito. O povo deveria celebrar a Páscoa com alegria
e gratidão pelos feitos do Senhor. Deus havia resgatado o Seu povo da
escravidão egípcia, conduzindo-o durante a jornada no deserto rumo à terra de
Canaã conforme prometida a Abraão (Gn 12.7). Em segundo lugar, a celebração da
Páscoa era escatológica, ou seja, apontava para a obra que o Messias realizaria
em favor do Seu povo. A libertação do Egito, portanto, era um símbolo da
libertação do império das trevas.
A
Festa da Páscoa contava com três elementos: o cordeiro, as ervas amargas e os
pães asmos. O cordeiro deveria ser imolado como substituto do povo de Deus. O
sangue do cordeiro foi a garantia de que o juízo de Deus não viria sobre as
famílias israelitas. O cordeiro morreu por causa dos pecados do povo de Israel.
O cordeiro representava a morte substitutiva do Messias de Israel. Jesus é a
segurança contra o juízo de Deus. As ervas amargas representavam a opressão que
o povo sofreu durante o cativeiro egípcio e apontava para o sofrimento do
Messias. Por fim, os pães asmos representavam uma nova vida fora do Egito. Assim
apontavam para a nova vida que seria conquistada pelo Messias.
Jesus
é o cumprimento da Páscoa (Mc 14.22-24). Ele encarnou a Páscoa. Jesus é o
Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Jesus é o Cordeiro
perfeito preparado para o sacrifício (Jo 18.38). Jesus é o Cordeiro que sofreu
a punição em prol do Seu povo (Sl 22). Jesus é aquele que concede vida, e vida
em abundância (Jo 10.10). Ele cumpriu cada detalhe dessa celebração (Êx 12.46; Jo
19.36).
Através
do cumprimento da Páscoa, Jesus nos libertou do império das trevas (Ef 2.1-7;
1Pe 1.18-19). Jesus justifica todos aqueles que nele crê (Jo 3.16; Rm 5.1). A
salvação foi conquistada por Cristo Jesus (Ef 2.8-9). Jesus expiou os pecados
da igreja (Lv 16; Cl 2.13-14). Jesus nos transformou em filhos de Deus (Jo
1.12). Jesus realizou a propiciação pelos pecados da igreja (Lv 16). Jesus
pagou os pecados da igreja, sofreu no lugar da igreja e concedeu uma nova vida
à igreja.
Antes
de cumprir a Páscoa, Jesus deu à sua igreja uma nova celebração – a Ceia do
Senhor (Mc 14.12-26). Jesus realizou a transição da Páscoa para a Ceia do
Senhor. A Páscoa, como dito anteriormente, tinha um apontamento duplo: passado
(Egito) e futuro (Messias). Do mesmo modo, a Ceia do Senhor tem um apontamento
duplo: a obra de Cristo na cruz do Calvário e a gloriosa Volta de Jesus. Quando
celebramos a Ceia do Senhor somos gratos pela redenção realizada e ansiamos a volta
de Cristo para vivermos a nova vida plenamente. Na celebração da Ceia do Senhor
desejamos novos céus e nova terra onde habita a justiça. Celebramos a Ceia com a
esperança da habitação na Canaã Celeste. Por isso, assim como na Páscoa, a Ceia
do Senhor olha para o passado e para o futuro sem se esquecer do presente.
Olhamos para o passado com louvor, vivemos o presente com gratidão e esperamos novos
céus e nova terra com alegria.
Sendo
assim, cristãos não celebram a Páscoa. Essa era uma festa do calendário judaico
que foi cumprida por Jesus. Celebrar a Páscoa é voltar às sombras (Cl 2.16-19).
Todavia, vivemos um novo tempo, o tempo da realidade (Jo 4.24). A adoração no
Novo Testamento não se dá segundo as ordenanças cerimoniais de Israel, mas segundo
o cumprimento profético em Cristo. Na nova dispensação os cristãos celebram a
Ceia do Senhor. Este sacramento, junto com o batismo, são os únicos ritos visíveis
que Jesus deu à igreja.
A Igreja
no Novo Testamento celebra a Ceia do Senhor no Dia do Senhor (domingo). O
domingo é o dia da ressurreição de Cristo. Esse dia não está restrito a um dia
do ano, mas a todos os demais cinquenta e dois domingos existentes em nosso
calendário. O Dia do Senhor denominado “dia da ressurreição” ou “Domingo de
Páscoa” não é mais especial que os outros domingos do ano. Esse domingo não é
mais santo que os demais domingos. Porque na nova dispensação os únicos dias santos
são todos os domingos do ano. Tornar um dia mais especial que o outro é observar
as sombras e se entregar à superstição.
Todavia,
compreendo que essa data é global, logo, alterá-la é praticamente impossível. Então,
podemos usar esse momento para ensinar os crentes a verdade das Escrituras. Por
isso, fiz questão de escrever esse artigo. Meu objetivo não é falar sobre o assunto
para celebramos essa data, mas ensinar a observância correta da adoração
neotestamentária.
Alguns
afirmam que é importante usar a data para tratar da ressurreição de Cristo,
porém, a ressurreição de Cristo não é mais importante que sua encarnação, vida,
morte, ascensão e segunda vinda. Cada parte da obra de Cristo tem igual
importância. Não precisamos de um dia no ano para celebrarmos a ressurreição de
Cristo sendo que dominicalmente fazemos isso. Dominicalmente saímos de nossos
lares para participar do Culto ao Senhor onde louvamos ao Senhor por sua obra
redentora, somos educados para uma vida consagrada e nossa esperança em novos
céus e nova terra é renovada.
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