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O AUTOEXAME PARA A CEIA DO SENHOR




A Ceia do Senhor foi instituída por Jesus como substituta da Páscoa (cf. Mt 26.17-30). Para participar da Páscoa era necessário ser circuncidado (cf. Êx 12.48). Então, para participar da Ceia do Senhor é necessário ser batizado (cf. Mc 16.16; Jo 13.10). Somente aqueles que se arrependeram dos seus pecados, confessaram Cristo como seu Salvador e Senhor, e foram batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, numa igreja genuinamente evangélica, podem participar da Ceia do Senhor.


Todavia, é necessário preparo para participar da Ceia do Senhor. Disse o apóstolo Paulo: "28Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; 29pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. 30Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. 31Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. 32Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo." (1Co 11.28–32 ARA)


O pastor inglês Charles Spurgeon, em seu sermão intitulado “Autoexame prévio para a Ceia do Senhor”, nos deu algumas perguntas que nos auxiliam nesse autoexame. A primeira pergunta é: “Eu realmente fui regenerado para participar da Ceia?” Ou seja, eu fui alvo da operação do Espírito Santo transformando o meu coração, removendo o coração de pedra e me concedendo um coração de carne? (cf. Ez 36.26-27). Essa é uma pergunta referente ao novo nascimento. Somente quem nasceu de novo pode participar da Ceia do Senhor (cf. Jo 3.1-15).


A segunda pergunta é: “Eu tenho fome e sede de Cristo?” A Ceia é o nosso alimento espiritual. Assim como o corpo se deleita num banquete, a alma também deve se deleitar em Cristo Jesus. Então, quem nasceu de novo deve saborear-se de Cristo (cf. 2Pe 2.2-3).


A terceira pergunta é: “Eu sou realmente um convidado à mesa por Cristo?” Essa pergunta está ligada com a primeira. É uma autoavaliação quanto ao chamado eficaz operado pelo Espírito Santo. Nós não adquirimos o nosso lugar na mesa do Cordeiro, nós somos convidados pelo Espírito Santo e atendemos ao chamado pela fé (cf. Mt 22.1-14).


A quarta pergunta é: “Eu sou de Cristo e Ele é meu?” Certa feita, disse Jesus: "56Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele." (Jo 6.56 ARA). Também disse o apóstolo Pedro: "9Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;" (1Pe 2.9 ARA). Essa é uma pergunta que nos conduz a reflexão a respeito da nossa união com Cristo (cf. Gl 2.20).


A quinta pergunta é: “Eu amo a Cristo, sua causa e a Sua Igreja?” Quem participa da mesa do Cordeiro deve amá-lo em primeiro lugar. Deve amar o reino de Deus e a proclamação do evangelho a toda a criatura. Deve amar a Igreja de Cristo. Quem participa da mesa do Cordeiro não pode ser um desigrejado, alguém sem compromisso com a Igreja de Cristo. Quem participa da mesa do Cordeiro deve amar a Igreja de Cristo através da comunhão dos santos (cf. Hb 10.25). Quem ama a Igreja de Cristo deve servir com seus dons (cf. Ef 4.7-16).


A sexta pergunta é: “Eu desfruto da intimidade com Cristo?” A participação na Ceia do Senhor é uma demonstração visível de que temos comunhão com Cristo. Quem tem comunhão com Cristo se deleita na oração, na leitura e estudo da Palavra e na congregação dos santos. É alguém que vive na dependência de Cristo (cf. 1Ts 5.17).


As últimas perguntas são: “Eu creio, de fato, no poder remidor da Sua morte?” “Eu me apropriei, por fé, da Sua expiação?” “Eu sou, por essa expiação, justificado perante Deus?” Comer do pão e beber do cálice deve vir acompanhado de fé na redenção. É descansar na obra de Cristo em nosso favor. É crer que a obra de Cristo foi necessária e é suficiente para a nossa salvação. É reconhecer que sem a morte de Cristo os nossos pecados jamais seriam perdoados. Nesse momento, nós revisitamos a nossa fé no perdão que obtemos graças à expiação de Cristo. Ele assumiu a nossa culpa e expiou os nossos pecados. Descansamos em Cristo, pois, nenhuma condenação há sobre nós (cf. Rm 8.1).


Portanto, quando estiver por participar da Ceia do Senhor não aja mecanicamente. Não torne o momento apenas num ato religioso frio. Examine-se a si mesmo, tome do pão e beba do cálice com fé, gratidão, alegria e louvor.
 

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