Richard
Dawkins foi um grande opositor da fé cristã. Entretanto, Dawkins disse ser um “cristão
cultural”. Ele ama o clima mágico do Natal, ama as canções cristãs, ama o aparato
religioso, mas não ama Cristo. Ele disse: “Gosto de viver em um país
culturalmente cristão”, disse Dawkins, “embora eu não acredite em uma única
palavra da fé cristã”. O problema não é Dawkins possuir essa mentalidade quanto
ao cristianismo, mas perceber que muitos membros de igrejas vivem dessa forma. Por
isso, surgiu uma nomenclatura para se referir a pessoas que pensam assim: “cristãos
culturais” ou “cristãos nominais”.
O
cristianismo cultural no Sul dos Estados Unidos, frequentemente chamado de “Bible
Belt” (Cinturão Bíblico), é caracterizado pela incorporação da fé cristã,
especificamente o protestantismo evangélico, na estrutura social, nas tradições
e na identidade regional, indo além da prática religiosa individual. Nessa
região, a religião é um componente central da vida cotidiana, influenciando
costumes e a identidade sulista. No Brasil, usa-se com frequência o termo “cristianismo
nominal”. O Cristão nominal é a pessoa que se identifica como cristã
apenas de nome, por tradição familiar ou cultura, mas não possui um
relacionamento pessoal com Jesus, vivência prática da fé ou transformação
interior. Frequentam a igreja ou conhecem as doutrinas, mas sua vida é pautada
por normas seculares, não por um compromisso real com Cristo.
Alguns
teólogos gostam da nomenclatura “ateus práticos”, se referindo ao fato de que
essas pessoas dizem crer em Deus, mas não demonstram por seus atos. Tiago em sua
carta disse: "14Meus
irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras?
Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?" (Tg 2.14 ARA). Posteriormente,
Tiago disse que até os demônios creem em Deus (Tg 2.19). Então, os “cristãos
nominais” ou “cristãos culturais” ou “ateus práticos” se assemelham aos demônios.
Eles dizem acreditar na existência de Deus, mas não possuem uma vida
transformada por Deus. Por isso, não têm relacionamento real com Deus por
intermédio de Cristo Jesus. Um relacionamento que se revela por obras de
justiça. Como disse Paulo, eles não têm o poder (2Tm 3.5).
Leandro
Karnal é um historiador, professor, escritor brasileiro, homossexual, ateu, mas
que ama a tradição cristã. Por ter uma formação católico romana, geralmente
menciona tradições oriundas do catolicismo, citações de pensadores romanistas e
celebra certas datas do calendário religioso. Gosta de demonstrar seu apreço
pela arquitetura e arte religiosa. Recentemente, Leandro Karnal lançou um curso
bíblico denominado “Bíblia com Karnal” com o objetivo de discutir e compreender
o texto bíblico de forma reflexiva, acolhendo todos, independentemente de suas
crenças – considerando a relevância histórica, cultural e social da Bíblia Sagrada.
Os
cristãos culturais vivem de forma desarmônica. A fé que dizem possuir não
combina com as práticas diárias. Dizem amar a Deus, mas o negam por suas obras.
Quanto a esses podemos dizer como Tiago, são meros ouvintes da Palavra de Deus
(Tg 1.22-25). Seus pensamentos, palavras e atos não são moldados pela Escritura
Sagrada. Creem em Deus, mas pensam como os ideólogos do nosso tempo. Creem em
Deus, mas suas palavras são dominadas pelo espírito do nosso tempo. Creem em
Deus, mas seus atos são ímpios. Esses transformam a Bíblia numa “colcha de retalhos”
onde se crê e se pratica apenas aquilo que lhe é agradável. Fogem da confrontação
bíblica e abraçam as terapias seculares.
Os puritanos
do século XVII foram extremamente críticos de um cristianismo preso a tradições
e sem vida. Os puritanos não eram apenas homem de uma mente brilhante, mas
também de um coração ardente. A piedade puritana é uma grande marca na história
da igreja. Eles foram contra a comemoração do Natal por dois motivos básicos. Primeiro,
por entender que o único dia santo da igreja neotestamentária é o Dia do Senhor
(domingo). Segundo, por perceberem como o Natal se transformara numa
comemoração meramente cultural. Uma comemoração regada à fantasia, ao comércio
e tradições pagãs. Isso não é diferente em nossos dias. É comum encontrarmos crentes
que ficam “entocados” o ano inteiro, mas aparecem nas programações especiais do
Natal. Crentes que gostam da magia, da observância fria e do tradicionalismo
religioso, mas estão distantes do Senhor.
O cristianismo
bíblico é uma vida de renúncia. O cristianismo bíblico é uma vida de
aprendizado. O cristianismo bíblico é integral. O cristianismo bíblico não é
vivido apenas do lado de dentro dos portões, mas também do lado de fora. O cristianismo
bíblico é vivido no templo, nas ruas, nas praças, nas empresas, nas escolas, no
consultório médico, nas praias, nos centros comerciais, nas famílias, nas
viagens, em absolutamente tudo. O cristianismo bíblico não é apenas emaranhado
de tradições e ritos, mas uma forma de pensar e um estilo de vida. O cristianismo
bíblico é a imitação de uma Pessoa – Cristo (1Co 11.1). O cristianismo é pensar
os pensamentos/doutrinas de Cristo, é falar conforme a Palavra de Cristo e
viver segundo os princípios, valores e mandamentos de Cristo.

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