
A humanidade está dividida entre dois cabeças –
Adão e Cristo (cf. Rm 5.12-21). A Escritura também menciona a existência de duas
sementes: a semente da mulher e a semente da serpente. A semente da mulher é
uma referência à linhagem espiritual em Cristo. Enquanto isso, a semente da
serpente é uma referência à linhagem caída. Os que estão em Adão são aqueles
que caíram e perderam a sua comunhão com Deus. Todavia, os que estão em Cristo
são aqueles que foram redimidos e religados a Deus. Assim como Adão representou
a humanidade na criação, Cristo, o segundo Adão, representou os eleitos na nova
criação. Nós estávamos em Adão quando ocorreu a queda e agora estamos em Cristo
na nova criação.
Nas cartas paulinas observamos a constância do uso “em
Cristo” ou “em Cristo Jesus” ou “nele” para se referir ao fato de que estamos
unidos com Cristo Jesus. Nesse sentido, Paulo disse aos gálatas: "19Porque eu, mediante a própria lei,
morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; 20logo,
já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho
na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou
por mim."
(Gl 2.19–20 ARA)
A
expressão “morri para a lei” significa que a lei não tem o poder de condenação
sobre aqueles que estão em Cristo Jesus (cf. Rm 8.1). Sem Cristo, o homem está
debaixo da maldição da Lei. O homem não é capaz de viver em completa obediência
à Lei de Deus. Conforme a Escritura, Deus não se relaciona com pecadores, mas
com santos (cf. 1Jo 1.5-6). Por isso, o apóstolo Paulo disse: “Estou crucificado
com Cristo”, isto é, fomos pendurados no madeiro com Cristo Jesus. Ele assumiu
o nosso lugar e, por representatividade, estávamos com Cristo quando Ele
recebeu a santa ira de Deus por causa das nossas transgressões. Uma vez que os
crimes foram punidos em Cristo, e nós estávamos nele, já não há mais condenação.
Por
conta disso, em seguida o apóstolo Paulo afirma: “já não sou em quem vive, mas
Cristo vive em mim”. Escrevendo aos romanos, o apóstolo Paulo disse: "5Porque, se fomos unidos
com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança
da sua ressurreição," (Rm 6.5
ARA). Com isso, Paulo nos ensina que morremos com Cristo para o pecado e
ressuscitamos com Cristo para a santidade. Então, a lei não possui mais caráter
condenatório, mas fomos ressuscitados para a obediência da Lei pela fé.
O salmista Davi disse: "7A lei
do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá
sabedoria aos símplices. 8Os preceitos do Senhor são retos e alegram
o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. 9O
temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são
verdadeiros e todos igualmente, justos. 10São mais desejáveis do que
ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o
destilar dos favos." (Sl 19.7–10 ARA) Aqueles que ressuscitaram com
Cristo e estão unidos à Ele têm prazer na Lei de Deus. A Lei não é um fardo,
mas o estilo de vida de Cristo. Ele foi obediente à Lei até a morte (cf. Fp
2.8). Logo, estar unido com Cristo é viver segundo o Seu estilo de vida.
Estar unido a Cristo nos concede o status de “santos”,
ou seja, separados para a redenção do último Dia (cf. Ef 1.13-14). Somos santos
para a santidade. O autor da carta aos Hebreus disse que sem santificação
ninguém verá a Deus (cf. Hb 12.14). Por isso, disse Paulo: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena” (Cl 3.5). Os puritanos ingleses escreveram muito sobre a mortificação
da carne. Desse modo, a doutrina da união com Cristo impulsiona os cristãos à
mortificação da carne para viver para Cristo.
O processo de santificação é operado pelo Espírito
Santo no coração do homem. Mas o cristão é atuante nesse processo quando
decide, segundo sua nova natureza em Cristo (cf. Ef 4.17-24), agir em
conformidade com a Lei de Deus. O teólogo Agostinho de Hipona disse que o homem
sem Cristo é incapaz de não pecar, mas o homem com Cristo é capaz de não pecar.
Por causa do poder do Espírito de Cristo o cristão pode obedecer à Palavra de Deus.
O homem regenerado tem a capacitação de decidir não pecar. Mas, quando pecamos,
a Palavra também nos concede o caminho do perdão (cf. 1Jo 1.5-2.1).
O pecado não pode ser algo comum para o cristão. O pecado
deve ser morto diariamente. O pecado é um inimigo que precisa ser, constantemente,
abatido no poder de Cristo. Sentimentos, ações, pensamentos e palavras
pecaminosos não podem ser vistos como parte da nossa personalidade ou fruto de
uma “enfermidade emocional”. Pecado é pecado e devemos tratá-lo como pecado. O
homem regenerado não tem prazer no pecado. Quando peca se sente mal por ter ofendido
a Deus e busca uma nova direção. Aceitar o pecado e não lutar contra ele com as
armas de Cristo pode ser uma prova de que tal pessoa não foi regenerada.
Estamos em Cristo, logo, nossos pensamentos devem
glorificar a Cristo. Estamos em Cristo, logo, nossas palavras devem glorificar
a Cristo. Estamos em Cristo, logo, nossas ações devem glorificar a Cristo.
Estamos em Cristo, logo, nossos sentimentos devem glorificar a Cristo. É
necessário pensar nas coisas lá do alto (cf. Cl 3.1-4). É necessário falar a
verdade em amor (cf. Ef 4.15). É necessário agir segundo a Lei de Cristo (cf.
Rm 13.8-10). É necessário nutrir sentimentos virtuosos (cf. Gl 5.22-23).
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