A
Escritura Sagrada diz que não devemos pecar, mas ela também diz que nós
pecamos. O pecado é uma realidade na humanidade caída. E isso não é diferente
na vida dos cristãos. Discípulos de Cristo também pecam. Os ímpios, por vezes,
atacam os cristãos quando pecam porque não compreendem a natureza humana caída.
Como disse Lutero: “Pensei que o velho homem tinha morrido nas águas do
batismo, mas descobri que o infeliz sabia nadar. Agora tenho que matá-lo todos
os dias”. Além disso, não é difícil encontramos cristãos que possuem uma percepção
rasa do pecado ou são legalistas ou brincam com o pecado. Porém, é necessária
uma visão bíblica e séria do pecado.
Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo disse: "Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; não vim chamar justos, e sim pecadores." (Mc 2.17 ARA). A salvação não é uma obra realizada em favor de pessoas boas. O apóstolo Paulo disse: "7Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. 8Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores." (Rm 5.7–8 ARA). A salvação em Cristo é necessária porque o homem natural está numa condição terrível sem Deus. O homem natural está mergulhado no pecado e carece de intervenção urgente da graça divina.
Uma vez alcançado pela graça divina o homem continua carecendo da misericórdia do Senhor. Disse Jeremias: "22As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; 23renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade." (Lm 3.22–23 ARA). Paulo declara aos romanos que somos justificados (declarados justos) mediante a fé em Cristo (cf. Rm 5.1). No entanto, a justificação não remove o pecado da natureza humana. Justificados ainda são pecadores. Por isso, escreveu Paulo: "17Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer." (Gl 5.17 ARA). A Escritura afirma que a remoção completa do pecado ocorrerá na glorificação (cf. 1Co 15). Sendo assim, enquanto estivermos nesse mundo lutaremos contra a nossa própria natureza.
A vida cristã é uma batalha diária. Jesus disse que os seus discípulos devem renunciar a si mesmo todos os dias (cf. Mc 8.34). O apóstolo Paulo disse que fomos resgatados da escravidão ao pecado para sermos escravos da justiça (cf. Rm 6.15-18). Então, durante a nossa jornada cristã devemos morrer para nós mesmos e viver para Cristo (cf. Gl 2.20). O pecado precisa ser combatido com as armas divinas: "4Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas 5e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo," (2Co 10.4–5 ARA).
O processo posterior à justificação é chamado de santificação. Enquanto a justificação é um ato livre da misericórdia divina, a santificação é uma obra realizada pelo Espírito Santo no coração do justificado durante toda a sua vida. A justificação é um ato e a santificação é um processo. Quem foi regenerado por obra do Espírito (cf. Jo 3.3) está em processo de crescimento (cf. 2Pe 3.18). Sendo assim, podemos afirmar que na justificação fomos salvos da culpa do pecado, na santificação estamos sendo salvos do poder do pecado e na glorificação seremos salvos da presença do pecado.
O processo de mortificação do pecado é árduo. Teremos vitórias e derrotas. Aprenderemos a lidar com as mais diversas situações pecaminosas, mas ainda cairemos em muitas circunstâncias. Alguns pecados serão mais agressivos e problemáticos. Falharemos no processo, mas contamos com a deleitosa presença do Espírito Santo que nos conduz à contrição, ao arrependimento e à confissão. Assim sendo, a vida cristã é uma contínua “conversão”. Todos os dias precisamos nos arrepender e crer em Cristo. Arrepender-se dos pecados cometidos, confessá-los e crê no perdão em Cristo.
A santificação é um processo com as seguintes fases: pecado – arrependimento – confissão – frutos digno de arrependimento. O pecado gerará arrependimento; o arrependimento conduzirá à confissão; a confissão verdadeira se demonstrará pelos frutos dignos de arrependimento. Esse processo é contínuo até partirmos e estamos com Cristo ou Sua Volta. O apóstolo João disse que quando pecarmos temos um Advogado junto ao Pai (cf. 1Jo 2.1). Por isso, Jesus nos ensinou a orar: "12e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; 13e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal" (Mt 6.12–13 ARA).
A santificação é um processo de mortificação do pecado para aplicação das virtudes de Cristo. É um processo doloroso, custoso, mas contamos com a graça de Deus em todo o tempo. Ele está sempre disposto para nos perdoar e nos purificar de toda a injustiça (cf. 1Jo 1.9).

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